terça-feira, 6 de outubro de 2009

A Clínica do Trágico




Luiz Felipe Pondé, filósofo, psicanalista, doutor em filosofia moderna, participou do café filosófico em Campinas. O vídeo com algumas de suas colocações é excelente! Ele contradiz os pilares da psicomotricidade, da psicologia cognitiva, enfim de qualquer utopia que nos prenda.

http://www.cpflcultura.com.br/video/integra-clinica-do-tragico

sábado, 3 de outubro de 2009

Peito vazio (Cartola)



"Nada consigo fazer
Quando a saudade aperta
Foge-me a inspiração
Sinto a alma deserta
Um vazio se faz em meu peito
E de fato eu sinto
Em meu peito um vazio
Me faltando as tuas carícias
As noites são longas
E eu sinto mais frio.
Procuro afogar no álcool
A tua lembrança
Mas noto que é ridícula
A minha vingança
Vou seguir os conselhos
De amigos
E garanto que não beberei
Nunca mais
E com o tempo
Essa imensa saudade que sinto
Se esvai"

Quando ouço a música, encontro um espaço para a angústia e o vazio persistentes.

domingo, 6 de setembro de 2009

Juntando os cacos


Considero a habilidade artística muito interessante, existe uma harmonia de movimentos, uma paciência e um cuidado fora do real. Infelizmente não nasci com nenhum dom artístico nem tenho vontade de entrar para o grupo das oficinas, dos ateliês da vida. Hoje digo pra mim mesma: Isso não é pra você, relaxe. Porque de certa forma dá uma vontade às vezes de tocar piano, pintar um quadro, jogar vôlei, construir painéis, essas coisas incríveis que as pessoas fazem por aí. E aí o que me acontece é pensar no que eu faço que reproduza e me convença de que eu também posso fazer coisas tão interessantes quanto. Conviver com os mosaicos do Marcello, toda hora aqui em casa me rende esses pensamentos. Pra quem nunca viu como se faz um mosaico, é só pensar em um azulejo qualquer quebrado, um desenho pensado, muita habilidade pra imaginar e modelar em cima de qualquer superfície, uma boa quantidade de rejunte e o resultado é que sempre fica bonito no final.E eu me pergunto o grau terapêutico que isso tem. Ou seja você quebra um azulejo perfeito e conserta fazendo mosaico, insano? Nada, eu faço isso em análise, sempre a imaginar situações, consertar, elaborar de várias maneiras. E o rejunte? O rejunte talvez seja a capacidade e a permissão que eu eu dou para a minha analista entrar nas minhas histórias, intervir na minha impossibilidade e incapacidade de percepção. Eu quase enlouqueci agora, preciso de um minuto, ou três horas pra saber porque escrevo essas coisas. Estou juntando os meus cacos.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Encontro















Sempre tive muitas idéias circulando na minha cabeça. Costumava ficar cansada, vazia, perdida, esquecida, enlouquecida, entre outras características indescritíveis.
No entanto,desde que iniciei meu trabalho com crianças tenho refletido um pouco mais sobre esses pensamentos invasivos e o impressionante é que por esse contato minhas teorias às vezes batem, minhas idéias em alguns segundos se cruzam, e tudo faz tanto mais tanto sentido em um rápido instante, que eu me encontro, eu me acho no lugar distante, eu refaço, preencho, ganho energia. É tocante como o encontro afetivo é intenso e sincero. Como as crianças te aceitam rápido. A relação flui tão facilmente que eu me esqueço de pensar contra mim, de lutar contra o meu corpo, de apagar a idéia nova. Eu me esqueço de fingir, de atuar, de questionar o que não tem explicação. Tudo tão simples.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

O manejo do Bonsai e a sinestesia, uma prática psicomotora?





Sou curiosa demais e me intrometo facilmente nas coisas que me tocam. Descobri o Bonsai há uns meses e estou loucamente hipnotizada por essa arte. Bonsai é uma palavra japonesa que significa árvore em uma bandeja. O Bonsai precisa de um cuidado diário e a técnica utilizada vai muito além. Para o manejo com a pequena árvore, é importantíssimo trabalhar o corpo com a postura no ato do cultivo, a respiração diafragmática, a harmonia visual, o contato com a terra, os insumos utilizados, as ferramentas e o equilíbrio do movimento. Por isso estou completamente enlouquecida pra articular o manejo com bonsai e a prática psicomotora, corri pra buscar alguns textos que pudessem falar um pouco disso aqui no Brasil, mas não encontrei, a não ser o material do Marcelo Miller, um argentino que veio para o Brasil e inseriu a prática do bonsai por aqui. Por enquanto, ele é meu guru pra começar a pensar nessa relação dialógica. O Eu-isso, de Buber caberia perfeitamente aqui na prática relacional bonsai e psicomotricidade, mas sobre Martin Buber eu falo daqui a pouco. Estou hipnotizada.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Limão Galego


Hoje não me interessei por nada, não me esforcei para saber nada de útil, nem me preocupei com meus devaneios supérfluos. Não abri minha boca para falar verdades nem muito menos mentiras. Minha irritação durou basicamente o dia inteiro e eu não quis saber o motivo. Preferi me calar só pra não correr o risco de escapar conflitos ou até mesmo bobagens. Eu simplesmente não quis falar. Minhas tranferências foram negativas pra tudo que eu ousasse olhar, nada chamou minha atenção e eu perdi um pouco a razão quando percebi o quanto estava frágil meu humor. Humor, hoje eu não tive humor. Permaneci apática e nem foi tão sacrificante. Estive fora de mim um pouco pra me dar um descanso. Só que já está acabando o dia e eu não resolvi minhas angústias camufladas, minha passividade indigna, meus tormentos presentes. Não me sobrou tempo pra sentir nada, nem ao menos vontade de sair do marasmo.Estou entregue a minha indiferença e incoerência. Ter bom senso todos os dias cansa a pele, envelhece, preciso de um dia pra não estar em mim, preciso de água com gotas de limão galego.


quinta-feira, 2 de julho de 2009

Diabulimia







Será que é pouca a reflexão que fazemos a nosso respeito? Quantos dias mais para sofrer? Quantas horas a mais para escapar de nós mesmos?Até quando vamos nos movimentar para a destruição de nosso corpo?Tão separado, tão desconexo...
"... e que a coisa não tinha remédio. E por dentro me mordia, me desgarrava, me corroia, até que a amargura se tornava uma doçura vergonhosa, maldita e, ao final, um indiscutível grande prazer..." (F. Dostoiévski, Memórias do Subterrâneo).